Quando a Solidão Invade Tudo




Ser só, é uma condição humana desde o nascimento. Apesar dessa afirmação parecer um tanto quanto estranha, tendo em vista que já nascemos inseridos em uma família, somos além de tudo, seres únicos numa plenitude de existência além dos nossos pais.



Apesar de fazermos parte da tríade mãe-pai-filho, ao mesmo tempo estamos fora dessa relação. Ainda nos primeiros meses de vida, quando nos reconhecemos distintos da relação entre nossos pais, temos as primeiras percepções sobre como é estar "Só", no sentido de existência.



Estar Só é extremamente importante, nos situa enquanto “Ser” no mundo, no sentido de existência. Reconhecer-se como um ser “Só” nos traz a consciência de nossas necessidades e da nossa individualidade. Nos dá a possibilidade conhecer melhor nossa intimidade, compreender nossa essência e evoluir emocionalmente. É uma porta para o autoconhecimento.



É também nos primeiros meses e anos da vida, que nos deparamos com a solidão.  É nesse processo de individuação, quando nos vemos fora da tríade, que o sentido de solidão se estabelece pela primeira vez. É a sensação de estar “fora” a parte, ou, não participante.



Tomamos contato com a solidão, também quando as nossas figuras amadas se afastam de nós, mesmo que por alguns instantes. A solidão é nesse aspecto, a angustia da perda dos objetos amados, como se as pessoas que amamos tivessem morrido por alguns instantes e não fossem  mais voltar.



A solidão está associada a uma experiência psíquica de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade. São experiências sentidas ainda na infância de forma primitiva, e ao longo da nossa vida retornam de outras maneiras. Na vida adulta estão associadas a experiências sociais que nos trazem pouca ou nenhuma gratificação. 



É um sentimento de intenso vazio, isolamento, uma necessidade que não se pode suprir, algo que falta e não se compreende. Muitos acontecimentos sociais podem trazer de volta essas experiências psíquicas. Nos deparamos com ela quando saímos de um relacionamento, mudamos de emprego, alguém que amamos vai embora.



Mas as vezes, o sentimento de falta, a ausência da esperança e o sofrimento, não parecem ter ligação com algo concreto. Essa é uma vivencia interna de grande sofrimento. O sofrimento pela ausência de algo que não se conhece.



A solidão é com certeza um sintoma de mal-estar social. Estar "Só" e sentir solidão, são situações extremamente diferentes, mas tênues. Muitas vezes a solidão pode começar em uma situação de isolamento social. O afastamento do convívio com pessoas das nossas relações, o isolamento no trabalho, ou outras formas de isolamento, como o bullyng por exemplo.



Entretanto é possível re-significar a situação de sofrimento que leva a solidão.



Dar novos significados as experiências é uma ferramenta que está ao alcance de todas as pessoas. Não é um lance de mágica ou de sorte, é possibilidade. Sabe aquela novela “Êta Mundo Bão”? Na qual o personagem principal usava muito uma frase: “Tudo que acontece de ruim na vida da gente, é pra melhorar”.



Você pode pensar, nossa Bárbara que frase linda e aí? A frase do personagem traz uma nova visão sobre a realidade dele, é uma nova maneira de ver as situações, é um novo ângulo. Suponhamos que esse personagem existisse na vida real, seria uma pessoa que procura observar os acontecimentos ruins, alguém que literalmente procura aspectos bons nesses acontecimentos.



Observar a vida por outro ângulo, não é só privilegio do Candinho. Qualquer pessoa pode fazer isso. O que acontece é que na maioria das vezes o sofrimento e a angustia são muito intensos para realizar esse processo sozinho. 

Re-significar uma experiência de dor e sofrimento é buscar novos sentidos, e de forma criativa encontrar novas soluções. Olhar por outras perspectivas não é uma forma de otimismo, mas uma maneira de exercitar o olhar sobre novas possibilidades.



Fica aqui o meu convite!



Um Abraço!

Comentários

  1. A solidão faz parte da vida. Minha mãe dizia; nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
    Parabéns pelo texto Bárbara.

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