Motivação: Por que você está motivado a trabalhar em algo que não gosta?
Na psicologia o significado de motivação está
diretamente relacionado ao impulso interno que leva as pessoas a se mexerem, ou
realizar algo. Ou seja, é o impulso que está por traz da nossa ação.
Estudos vem mostrando que nossas motivações
evoluíram ao longo do tempo assim como nós. Por isso, não é tão fácil responder
o que nos motiva. Depois que nossas necessidades básicas estão resolvidas, focamos
nossa atenção a outras necessidades, mais complexas e internamente construídas.
Kent Berridge (Professor de Psicologia da
Universidade de Michigan) realizou um experimento e fez a descoberta mais
significativa dos últimos tempos sobre a motivação - Nosso cérebro tem dois
sistemas de recompensa; um que nos leva a querer algo; e outro que nos leva a
gostar de algo.
Geralmente as duas operações trabalham em conjunto,
mas quando estão desalinhadas mostram com maior evidência como podemos nos
motivar por algo que não traz felicidade e realização. O estudo mostra que
podemos sim, nos motivar por algo que não gostamos, ou que nos traz, inclusive,
sofrimento.
Isso explica o porquê nos dedicamos a coisas que
não gostamos, como estudar para passar no vestibular para um curso que não
gostamos, ou permanecer num emprego que não nos traz ganhos emocionais.
Jaak Panksep neurocientista da universidade de
Washington, refere que o motor da nossa motivação está muito mais em buscar (explorar),
do que em realizar. Ou seja, nos interessamos mais pelo processo do que pelo
resultado. Estamos mais motivados em explorar o ambiente e enfrentar desafios,
do que exatamente interessados em recompensas a longo prazo, podemos citar
aqui, recompensas emocionais a longo prazo.
Com a chegada da internet, nos nossos dias atuais,
tornou-se muito mais urgente essa busca pela recompensa imediata. Alguns
estudiosos usam a sigla FOMO (Fear of Missing Out) Síndrome do Medo de Ficar
Fora do que Acontece. Há um grande medo de perder o que está acontecendo,
perder informação, ficar de fora. Por isso, existe uma grande motivação que nos
leva faz “buscar” como satisfação imediata.
Assim, a medida em que a sociedade foi se tornando
complexa e fomos obrigados a nos relacionar e barganhar, surgiu uma nova forma
de comportar-se. Saímos de uma posição em que buscávamos única e
exclusivamente, saciar nossas necessidades básicas.
Daniel Pink, em seu livro motivação 3.0, mostra que
a sociedade foi construída em volta de uma verdade inabalável, de que o melhor
jeito de aumentar a produtividade é encorajar ações recompensando os bons
hábitos e punindo os maus.
Essa verdade, porém, ruiu a medida em que nos
deparamos com as novas tecnologias e as mudanças econômicas no cenário mundial.
Estudos vem comprovando que na verdade, motivação tem muito mais a ver com
fatores internos do que externos.
Ao exercer uma atividade a qual gostamos muito,
repetidas vezes, apenas por dinheiro, acabamos sucumbindo à exaustão e ao
sentimento de que estamos efetivamente carregando um fardo. Apesar de o
dinheiro ainda ser a grande fonte da motivação humana, observa-se que exercer
uma atividade baseada apenas nessa recompensa, traz prejuízos emocionais a
longo prazo. A verdade é que precisamos mais do que isso. Precisamos nos sentir
desafiados.
Esse é um dos motivos pelo qual a maioria das
pessoas se sentem infelizes em seus trabalhos. É comum vermos pessoas
desmotivadas, menos envolvidas com tarefa que exercem e drasticamente menos
criativas. O mesmo estudo tem mostrado que estamos cada vez mais em busca de independência,
conhecimento e engajamento.
Ou seja, não basta termos apenas recompensa
financeira, para construir bem-estar emocional, precisamos estar envolvidos em
um processo que nos possibilitem outros ganhos. Se desvincular do modo
tradicional de motivação não é tarefa fácil, mas é totalmente possível, sabendo
os caminhos a seguir.
Por isso ainda temos muito a conversar sobre esse
assunto. Vamos pensar um pouco mais sobre essas questões, e abrir os horizontes
rumo a novos caminhos. No próximo texto, quero trazer a vocês mais
profundamente o que a independência o conhecimento e o engajamento tem a ver
com o nosso dia a dia e a forma de nos movimentarmos e prol da realização
pessoal.
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Um Abraço!



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