Por que nossas escolhas não são tão conscientes quanto parecem?
"Conhece-te a
Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não
achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum"- Templo
de Delfos na Grécia.
Como eu havia dito anteriormente: Quantas
vezes você olhou para sua vida, e se perguntou: “Aonde eu estava com a cabeça?”
ou “Meu Deus, como pude fazer isso!” Coisas que você não acredita ter feito.
Quantas vezes permaneceu em situações que hoje julga insuportáveis. Você estava
inconsciente!
Escolher, ou decidir por algo, são
mecanismos que envolvem uma série de processos. Quando falamos em escolhas,
partimos do pressuposto de que exista opções. Entretanto, eu diria, (por minha
conta e risco) que as opções são apenas ilusórias.
Digo ilusórias, porque quando se faz
necessário escolher algo, o cérebro entra em uma erupção de eventos: Pondera os
prós e contras; avalia situações anteriores; verifica satisfação ou perigo e
também faz uma previsão a longo prazo, [entre outras atividades]. Dessa forma,
opta pela única saída possível frente ao momento da vida que estamos passando.
São inconscientes, porque na maioria das
vezes não sabemos a motivação por traz das escolhas que fazemos. É por isso que
nos machucamos e sofremos.
Isso acontece porque as nossas escolhas
são um misto do que desejamos; do que aceitamos frente a esse desejo; e do que
realmente podemos concretizar. Somos uma construção de vivências, mas
principalmente, da forma como interpretamos essas vivências.
O que está por traz da escolha? Porque
você seguiu por A e não B?
Ao longo da vida, vamos idealizando e ao
mesmo tempo construindo nossa realidade. É a partir das experiências que
internalizamos a cultura e os padrões sociais. Esse processo se inicia com a
convivência familiar e posteriormente social. Entende-se aqui por internalizar:
a incorporação inconsciente de certos padrões, ideias, personalidade ou valores
sociais.
Assim começamos a desenvolver as
impressões sobre os acontecimentos e sobre as outras pessoas. Vamos nos
espelhando e aprendendo o que é socialmente aceito, como devemos nos adequar e
por quais caminhos seguir. Acabamos aprendendo padrões de comportamento.
É assim que reconhecemos o que nos faz bem
ou mal, o que é confortável ou não, e o que efetivamente nos será útil. Algumas
dessas vivências e sensações, se tornam inconscientes. Ou seja, estão
armazenadas no cérebro, no entanto, não sobem a consciência por uma série de
motivos.
Quando passamos por alguma situação, o
cérebro acessa através da memória, eventos, emoções e sensações conhecidas, a
fim de diagnosticar o que está acontecendo e fornecer base para a tomada de
decisão. Claro, o processo é bem mais complexo do que estou expondo, mas meu
objetivo é apenas fundamentar esse processo de forma simples (para não embolar
tudo de uma vez).
Quando estamos prestes a fazer escolhas,
muitas outras coisas estão envolvidas: Nossa personalidade, nosso senso de
certo ou errado, a aprovação social, adequação pessoal, satisfação, felicidade,
tristeza, enfim, muitas coisas.
Mas, posso assegurar: A maioria das escolhas
que fazemos são mais ou menos inconscientes na mesma proporção em que nos
conhecemos.
É isso mesmo! Quanto menos você sabe sobre
você, mais inconsciente serão suas escolhas. Como assim? Pois bem, se você não
percebe suas emoções, ou não conhece suas necessidades afetivas, corre grande risco
de entrar em situações que lhe tragam prejuízos emocionais.
Por exemplo: Muitas pessoas terminam
relacionamentos afetivos e começam outros em seguida. Muitas vezes o que
governa esse comportamento é o medo insuportável (inconsciente, ou não) de
ficarem sozinhos. Ou seja, o fato de não conhecer e não lidar com esse
sentimento, acaba por trazer relações pouco estruturadas. É o tipo de situação que
lhe trará a pergunta mais tarde: Porquê namorei com aquele cara!
Um outro exemplo é a escolha da profissão.
Muitas pessoas não conhecem ás próprias habilidades, e além de tudo não se
conhecem a ponto de verificar qual atividade mais se encaixa a sua personalidade
e necessidade. Além de tudo não percebem o porquê fazem uma escolha e não
outra: é por pressão social? Necessidade financeira? Vontade de ser útil?
O caminho se torna muito pior quando se
trabalha exclusivamente pela necessidade financeira. Nesse caso a chance de se
sujeitar a situações extremamente nocivas, físicas e psicológicas, são imensas.
Estamos mais uma vez falando sobre
autoconhecimento. A verdade é que esses padrões podem ser alterados. É possível
mudar padrões de comportamento que trazem sofrimento, assim como padrões de
escolhas. Mas isso só é possível através do autoconhecimento.
Por isso a frase inicial desse texto, é em
sua essência verídica. Essa é a resposta sobre as escolhas inconscientes. Suas
motivações as vezes não estão aparentes para você, para fazer escolhas é
preciso primeiro saber o porquê delas. No próximo texto trarei algumas dicas
sobre como se conhecer mais e fazer melhores escolhas.
Um Abraço!



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